Não. Não quero
mais viver. Simplesmente não me apetece. De nada me vale prevalecer dentro
desta angústia, agonizando em um lago extenso de solidão. Não sonho com noites
quentes de verão. Sou toda invernos, sou outonos, caem-me as folhas, desmorono
inteira eu. E nada mais sou capaz de compreender. Mesmo toda a mais bela
alegria vem em mim ser dor.
Não.
Não quero mais viver. Não me vale nada a vida em tal extrema ilusão, longe de
toda e qualquer lucidez, desprovida de qualquer compreensão. Mesmo se brilha o
mais alegre sol lá fora, cá dentro, chove. Vivo em uma eterna insolução. Está
nublado em mim o tempo, e não me chegarão coloridos arcos, pois o pacto selado
com o supremo foi já em mim há muito quebrado.
Não.
Não me apetece mais viver. Não em um mundo onde tu não estás, onde não há teu
cheiro, tua voz, onde a música não é o bastante para alimentar-me corpo e alma.
Não em um mundo onde tempo e distâncias sejam titãs, déspotas não esclarecidos.
Ando corrupta, pois só encontro horrendos significados no belo, e isso, isso é
imperdoável.
Não.
Não quero mais. Simplesmente não quero e pouco importa o que. O que aqui conta
é só mesmo o próprio não querer. O que há em mim é sobretudo o cansaço, e esta
melancolia morna e cinzenta ainda me há de fazer sucumbir. Não, já não sou
nada, meu amor, e sem ti nem quero ser. Embora guarde em mim todos os sonhos do
mundo, sou completamente composta pelo não querer.
Amanda Magnani
Amanda Magnani
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