segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Desquilíbrio



Minha homeostase é na solidão. Longe de tudo, longe de todos, longe de mim. Distante a perder de vista, sem preocupar-me com o enorme vazio onde preciso caber por inteiro, enfim. Minha homeostase é na solidão, em perfeita desarmonia com todas as infinitas formas de caos externo e interno, onde posso me consumir de dúvidas e incertezas na mais inquieta paz. Minha homeostase é na solidão, onde procuro exatamente me desencontrar. Onde exerço a mais cruel das condenações, livre para não ser nada além de mim. Minha homeostase é na solidão, tão repleta de monstros e crimes, que assustam exatamente por existirem ainda mais assim, tão completamente irreais além de mim. Minha homeostase é a própria solidão, onde não importa o pertencer, pois que o próprio ser não tem lugar. Minha homeostase não sou eu, já que sou completamente ausente sendo solidão. O equilíbrio, como a felicidade, não passa de mera ilusão. Minha homeostase é na escrita de solidão. 


                                                                                                                            Amanda Magnani

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