Minha homeostase é na solidão. Longe de
tudo, longe de todos, longe de mim. Distante a perder de vista, sem
preocupar-me com o enorme vazio onde preciso caber por inteiro, enfim. Minha
homeostase é na solidão, em perfeita desarmonia com todas as infinitas formas
de caos externo e interno, onde posso me consumir de dúvidas e incertezas na
mais inquieta paz. Minha homeostase é na solidão, onde procuro exatamente me
desencontrar. Onde exerço a mais cruel das condenações, livre para não ser nada
além de mim. Minha homeostase é na solidão, tão repleta de monstros e crimes,
que assustam exatamente por existirem ainda mais assim, tão completamente
irreais além de mim. Minha homeostase é a própria solidão, onde não importa o
pertencer, pois que o próprio ser não tem lugar. Minha homeostase não sou eu,
já que sou completamente ausente sendo solidão. O equilíbrio, como a
felicidade, não passa de mera ilusão. Minha homeostase é na escrita de solidão.
Amanda Magnani
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