A tecnologia é algo interessante. Conheci certa vez uma garota
cujo relacionamento com a tecnologia era ainda mais curioso. Eu diria até, que
um espetacular caso de estudos. A dependência desta menina pela tecnologia era
comparável à dependência de drogas. Um vício. Sua mente e seu organismo não
podiam se livrar dela. Não queriam se livrar dela.
Não importavam a ela as consequências dos usos de diferentes tecnologias. Não lhe interessava se algumas tecnologias salvam vidas, quebram barreiras, expandem fronteiras. Ao mesmo tempo em que não se preocupava se, por outro lado, há tecnologias que custam vidas, que destroem o meio, que criam desigualdades sociais.
Àquela garota só importava o que lhe dizia respeito, o que estava em suas mãos. E ela tinha o melhor. A bem dizer, ela não necessitava de tudo aquilo. Não era vital ter as melhores, mais novas e mais belas tecnologias lançadas. Mas ela precisava. Precisava disso. Precisava manter o status, manter o controle sobre os outros; sobre todos aqueles que, diferentemente dela, não dedicavam seu tempo exclusivamente a isso e, portanto, não tinham tudo aquilo que ela tinha. Como toda rainha, não abriria a mão disso, não abriria a mão de sua majestade.
A menina pensava ser livre, mas não era. Acreditava pensar, mas não pensava. Vivia em uma liberdade controlada, programada, por tudo aquilo que a cercava. Garota robô, que só era capaz de reproduzir externamente o que era programada para exteriorizar: o que a mídia ordenava, o que os influentes diziam, sempre com o exato intuito de levá-la a pensar que era livre, e que pensava. Pobre garota que inconscientemente desejava sonhar, independente.
Queria ser ouvida, tinha tanto a dizer. Assim como todos os outros, que tinham tanto para mostrar. A garota falava e se exibia, abria mão de sua privacidade por glória e fama momentâneas, que nunca durariam o bastante. Ninguém nunca a ouviu, ninguém nunca a viu. Sempre houve tantos iguais a ela no mundo, que a menina foi deixada de lado, ignorada.
E era infeliz. Assustada. Sozinha. Estava cercada de pessoas que conhecia – graças à tecnologia. Pessoas cujo nome, idade e naturalidade ela conhecia. Mas pessoas que ela nunca vira, pessoas de fora, de outros mundos. A garota conhecia tanta gente, e não conhecia ninguém. Tinha tantos amigos que não a conheciam, que não sabiam o que ela pensava, que nunca estavam lá quando ela se sentia só e assustada. Apesar de tantas vantagens, ela sentia falta do toque. Do cheiro. Da voz. Do humano. Não suportava mais tudo tão robótico, programado. Mas não podia admitir. Perderia seu trono se a descobrissem sentimental, humana. E a menina amava seu trono. Amava ser popular, ser melhor. Ele era tudo o que importava. Amava a condição de rainha mais do que amava a si própria. Ela se sentia só e chorava. Lágrimas virtuais de um coração cibernético ultrapassado, por muitos já trocado por um novo com mais funções.
Principalmente, a garota era alienada. Alheia a tudo e a todos que não a dissessem respeito, ou a seu presente. Perguntaram-me, uma vez, qual era o nome daquela menina, prepotente e desligada. Seu nome é juventude.
Não importavam a ela as consequências dos usos de diferentes tecnologias. Não lhe interessava se algumas tecnologias salvam vidas, quebram barreiras, expandem fronteiras. Ao mesmo tempo em que não se preocupava se, por outro lado, há tecnologias que custam vidas, que destroem o meio, que criam desigualdades sociais.
Àquela garota só importava o que lhe dizia respeito, o que estava em suas mãos. E ela tinha o melhor. A bem dizer, ela não necessitava de tudo aquilo. Não era vital ter as melhores, mais novas e mais belas tecnologias lançadas. Mas ela precisava. Precisava disso. Precisava manter o status, manter o controle sobre os outros; sobre todos aqueles que, diferentemente dela, não dedicavam seu tempo exclusivamente a isso e, portanto, não tinham tudo aquilo que ela tinha. Como toda rainha, não abriria a mão disso, não abriria a mão de sua majestade.
A menina pensava ser livre, mas não era. Acreditava pensar, mas não pensava. Vivia em uma liberdade controlada, programada, por tudo aquilo que a cercava. Garota robô, que só era capaz de reproduzir externamente o que era programada para exteriorizar: o que a mídia ordenava, o que os influentes diziam, sempre com o exato intuito de levá-la a pensar que era livre, e que pensava. Pobre garota que inconscientemente desejava sonhar, independente.
Queria ser ouvida, tinha tanto a dizer. Assim como todos os outros, que tinham tanto para mostrar. A garota falava e se exibia, abria mão de sua privacidade por glória e fama momentâneas, que nunca durariam o bastante. Ninguém nunca a ouviu, ninguém nunca a viu. Sempre houve tantos iguais a ela no mundo, que a menina foi deixada de lado, ignorada.
E era infeliz. Assustada. Sozinha. Estava cercada de pessoas que conhecia – graças à tecnologia. Pessoas cujo nome, idade e naturalidade ela conhecia. Mas pessoas que ela nunca vira, pessoas de fora, de outros mundos. A garota conhecia tanta gente, e não conhecia ninguém. Tinha tantos amigos que não a conheciam, que não sabiam o que ela pensava, que nunca estavam lá quando ela se sentia só e assustada. Apesar de tantas vantagens, ela sentia falta do toque. Do cheiro. Da voz. Do humano. Não suportava mais tudo tão robótico, programado. Mas não podia admitir. Perderia seu trono se a descobrissem sentimental, humana. E a menina amava seu trono. Amava ser popular, ser melhor. Ele era tudo o que importava. Amava a condição de rainha mais do que amava a si própria. Ela se sentia só e chorava. Lágrimas virtuais de um coração cibernético ultrapassado, por muitos já trocado por um novo com mais funções.
Principalmente, a garota era alienada. Alheia a tudo e a todos que não a dissessem respeito, ou a seu presente. Perguntaram-me, uma vez, qual era o nome daquela menina, prepotente e desligada. Seu nome é juventude.
Amanda Magnani
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